DESDE TIMOR…
na Missão das Irmãs Missionárias Dominicanas do Rosário
Na praia ao anoitecer… Jorge Mestre, escreve os pensamentos das suas descobertas no Voluntariado.
A pessoa que se arrisca a Amar,
também se arrisca a receber o dobro do Amor entregado
Penso que quando arriscamos viver numa cultura nova, tão diferente, questionamo-nos muitas vezes sobre o porquê de tantas coisas, que desde o nosso ponto de vista não poderíamos compreender.
Em frente a mim vejo o céu azul, como também a água do mar. O movimento das nuvens do céu é parecido ao movimento das ondas do mar. No entanto, as nuvens chegarão inevitavelmente a desaparecer um dia ao ser transformadas em chuva; as ondas do mar também têm um objectivo comum!
Também me dei conta que nunca poderemos considerar-nos seres independentes e jamais gozaremos da verdadeira felicidade, senão nos entregarmos às pessoas que encontramos no nosso caminho.
Aqui aprende-se a valorizar duma forma mais intensa, e a perceber o que temos e o que podemos dar, não a nossa cultura nem as nossas diferenças, mas uma participação nas pequenas situações quotidianas. Poderemos realmente contribuir com a nossa generosidade e com um pouco de amor para que os dias “cinzentos” que caracterizam a experiência do povo possa ser “pintado” com outras “cores”.
Jorge Mestre
Perguntam-me qual foi a maior descoberta com relação às pessoas a quem fui enviada. Depois de pensar, …posso dizer que “vivi no distrito de Oe- Cusse, com as Missionárias Dominicanas do Rosário, um ano marcado pela partilha, pelo diálogo, pelos esforços e trabalhos comunitários em benefício dos miúdos residentes no internato… Também foi um tempo marcado com múltiplos pequenos revelações, as quais davam cor à minha vida quotidiana.
Descobri uma nova linguagem, novos hábitos culturais, nova maneira de pensar e de entender o mundo, nova organização social, novo desenho de relações sociais, nova maneira de praticar a religião.
E todos estes pequenos descobrimentos foram assombrosos - por vezes chocantes – que pareciam ser claras experiências da diversidade e da riqueza interior existente em cada ser humano.
Mas a maior descoberta encontrei-a em mim mesma! Aprendi que a vida é tão boa e doce quanto vivemos para os outros! Quando enchemos as nossas vidas com a simplicidade e permitimos que flua o amor entre nós e os outros chegamos a ser mais tolerantes com as diferenças, os nossos limites alargam-se, fazemos coisas incríveis que jamais pensávamos poder fazer, tornamo-nos criativas …tentamos resolver problemas e encontramos um pouco de Deus à nossa volta.. de repente o nosso sorriso torna-se tão dependente do sorriso dos outros que parece que todos juntos formamos um só”.
Maria Manuela Fonseca
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