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CIDSE - Declaração conjunta para a Cimeira da Ação Climática da ONU

É uma emergência climática. É uma crise social. É uma catástrofe ambiental. Estamos a adiar há muito tempo, enquanto pessoas vulneráveis sofrem e o nosso planeta literalmente arde diante dos nossos olhos. À semelhança de muitos órgãos públicos, o Papa Francisco declarou emergência climática a 14 de junho. Centenas de milhares de jovens e adultos uniram-se em greve, no passado dia 20 de setembro, em frente à Cimeira para a Ação Climática da ONU em Nova Iorque e em todo o mundo. Todos merecem uma resposta e uma solução para os seus apelos. As Contribuições Nacionais representam apenas um terço da redução de emissões necessária para limitar o aquecimento a 1,5°C. E, além de não contribuírem para redução das emissões, contribuem para um aquecimento de mais de 3,5°C. Os líderes devem respeitar o tema da Cimeira da Ação Climática e cumprir seu dever moral.

 
Não faltam ideias - justas, sustentáveis e bem fundamentadas - para que os governos implementem uma transição ecológica. Comunidades, movimentos sociais e organizações da sociedade civil têm uma vasta experiência em modelos inovadores de produção de alimentos e energia que, comprovadamente, funcionam em escala, como a agroecologia e os sistemas democráticos de energia renovável. As soluções baseadas na natureza - apenas um dos nove temas da Cimeira Climática da ONU - podem contribuir significativamente para manter o aumento da temperatura média global até 1,5 °C, evitando as emissões provenientes da desflorestação, da degradação florestal e das perdas dos ecossistemas das zonas húmidas, restaurando a terra degradada e aumentando sistemas alimentares agroecológicos. Não há razão para recorrer a experiências especulativas e potencialmente catastróficas com geoengenharia. E temos sérias preocupações com outras falsas 'soluções', como a agricultura inteligente, bioenergia em larga escala (como BECCS), hidrocombustível, agrocombustíveis, carvão e energia nuclear.[1]
 
A urgência de fazer face às alterações climáticas é cada vez mais evidente nas narrativas científicas e religiosas. Alguns anos após a publicação da Carta Encíclica Laudato Si', o Papa Francisco convocou uma assembleia especial de Bispos, de 6 a 27 de outubro, em Roma (Sínodo dos Bispos para a região Pan-Amazónica). O Sínodo visa determinar como a Igreja pode responder às injustiças e ao extrativismo na região da Pan-Amazónia, que alimentam as alterações climáticas. A Igreja está a definir como contribuir para a proteção da Amazónia - um recurso essencial das Soluções Baseadas na Natureza - e das comunidades indígenas que implementam estratégias de reconstrução e conservação. As comunidades indígenas são defensoras, da linha de frente, no que respeita à destruição dos ecossistemas. Além disso, e tal como outras comunidades mais vulneráveis aos impactos das alterações climáticas, são as menos responsáveis pelas emissões de gases de efeito estufa, que nos colocam nessa posição de colapso humano e ecológico.
Um estudo recente estima que 75% do esforço necessário para cumprir o Acordo de Paris deve vir de ação do governo e 25% de iniciativas individuais. Cidadãos e comunidades individuais têm um papel fundamental a desempenhar, mas os seus esforços serão amplamente ineficazes sem uma mudança sistémica, apoiada por políticas transformadoras.
 
Os governos europeus, e todos os outros governos, devem aumentar rapidamente a ambição e rever os seus compromissos nacionais, a fim de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 ° C. Isso deve refletir as suas responsabilidades históricas e deve estar alinhado com o princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas. O novo objetivo climático da UE para 2030, proposto pela Presidente eleita da Comissão, Ursula von der Leyen, de reduzir as emissões em 55% não é suficiente. As emissões precisarão de ser reduzidas para, pelo menos 65%, para permanecer no caminho do aumento da temperatura até 1,5 ° C.
Não basta organizar e participar numa Cimeira, fazer alguns apelos e reconhecer a emergência, enquanto pouco se faz para resolvê-la. O compromisso real é demonstrado pelas metas políticas, financeiras e pela implementação de medidas de emissões reduzidas. A real integridade é demonstrada na coerência na implementação de políticas socialmente justas, requisito básico para alcançar a Agenda 2030. O alargamento dos modelos e soluções propostas pela sociedade civil nas políticas a nível nacional desafiaria o status quo empresarial, como é habitual, mas é isso que tem que ser feito. Os avisos científicos não cessarão. O dever moral de agir é sem precedentes.
 
 
Lista de Signatários:
Christine Allen, Diretora da CAFOD/Inglaterra e País de Gales
Anja Appel, Diretora da KOO/Áustria
Caoimhe de Barra, Diretora da Trócaire/Irlanda
Gianni Del Bufalo, Diretor da FOCSIV/Itália
Marian Caucik, Diretor da eRko/Eslováquia
Manuèle Derolez, Diretora da CCFD-Terre Solidaire/França
Alistair Dutton, Director da SCIAF/Escócia
Axelle Fischer, Diretora of Entraide et Fraternité/Bélgica
Josianne Gauthier, Secretária-geral da CIDSE
Patrick Godar, Diretor da Partage.Lu/Luxemburgo
Susan Gunn, Diretora do Maryknoll Office for Global Concerns/EUA
Lieve Herijgers, Diretora da Broederlijk Delen/Bélgica e Presidente da CIDSE
Peter van Hoof, Diretor da Vastenactie/Países Baixos
Serge Langlois, Diretor da Development & Peace/Canadá
Jorge Líbano Monteiro, Diretor da FEC – Fundação Fé e Cooperação/Portugal
Bernd Nilles, Diretor da Fastenopfer/Suíça
Clara Pardo Gil, Presidente da Manos Unidas/Espanha
Pirmin Spiegel, Diretor da Misereor/Alemanha
Kees Zevenbergen, Diretor da Cordaid/ Países Baixos
D. Abune Tesfaselassie Medhin, Assistente Eclesiástico da CIDSE, Bispo de Adigrat Eparchy/Etiópia

[1] Bioenergia com captura e armazenamento de carbono. 

Nota da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP)

A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem: a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las. (Santo Agostinho)

Assistimos, consternados, à notícia da violação e assassinato de uma religiosa em S. João da Madeira. Esta religiosa dedicava a sua vida ao serviço dos pobres e marginalizados. Este crime não se passou na Síria em guerra, ou no Iémen ou em outro país não-europeu em guerra. Foi entre nós, “dentro de portas”! A comunicação social abordou um pouco a medo este crime que não foi assunto de abertura dos telejornais. Por outro lado a lentidão e burocratização da justiça é-nos sobejamente conhecida: o mandato de detenção do criminoso não foi efectivado a tempo, apesar de uma tentativa de violação anterior. Estranhamente as organizações de mulheres e de apoio às vítimas de violência – doméstica ou outras  - pouco disseram. No entanto tratou-se de um cruel feminicídio.  

Constatamos que tem havido um silêncio penoso sobre este crime – salvo raras exceções - e perguntamos intimamente quais as razões deste silêncio: “lavamos as mãos” da nossa responsabilidade individual e coletiva, como fez Pilatos?

A irmã  Maria Antónia Pinho – da congregação das Servas de Maria Ministras dos Enfermos - estava ao serviço da Igreja Católica numa missão evangélica, implicada nas questões da Justiça e da Paz no seu contexto de ação. Ao serviço, também, da sociedade civil e dos mais marginalizados.

A CNJP (Comissão Nacional Justiça e Paz) – na sua missão de alertar os cristãos e a sociedade civil –, e solidária com a direção da CIRP (Conferência dos Institutos Religiosos em Portugal) e da sua Comissão para a Justiça, Paz e Ecologia,  quer lembrar aos homens e mulheres cristãos (e a todas os cidadãos de boa vontade) que a função de qualquer governo e das instituições da sociedade civil é estarem ao serviço dos cidadãos mais vulneráveis, ao serviço dos que não têm voz (dos “descartados da sociedade”, como afirma o Papa Francisco). Mas, simultaneamente,  devem estar ao serviço daqueles e daquelas que lutam pela justiça e fazem trabalho de promoção humana na solidariedade e na paz - como foi o caso do crime mencionado acima e que podia bem ter sido evitado. E devem fazê-lo sem qualquer discriminação por causa de opções religiosas, origem social, sexo ou orientação sexual, idade, raça ou cultura, e outras.

Devemos à irmã Maria Antónia Pinho e à sua congregação a nossa profunda solidariedade. 

Lisboa, 19 de Setembro de 2019 

 

CNJP - Comissão Nacional Justiça e Paz Conferência Episcopal Portuguesa
Quinta do Bom Pastor, Estrada da Buraca, 8-12  1549-025 Lisboa
Tel 218 855 480 E-mail  Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.
Site www.ecclesia.pt/cnjp
Facebook www.facebook.com/cnjusticaepaz

Experiência partilhada

Durante estes dois meses, com as nossas irmãs idosas das comunidades: Barañain, Burriana e León, vivemos momentos ímpares de graça, gozo e de sentido de pertença. 

O primeiro aspeto que facilitou a nossa integração foi o acolhimento das irmãs, que nos fez sentir parte das comunidades. Nos marcaram as virtudes, o sentido de pertença e responsabilidade uma pela outra, o testemunho de ser irmãs a atenção e o acompanhamento mútuo. 

A oração foi a clave que hemos sentido as irmãs, momentos de silêncio e contemplação, o que se reflete nelas, dando sentido e coerência as suas vidas. Isto nos convidou a seguir fazendo a experiência de encontro com Deus e a relação de maneira profunda com elas.

Nos momentos comunitários (recriação, bailes, jogos e notícias) sentimos partilhar da vida, fazendo uma leitura crítica do que víamos nas notícias. Ao mesmo tempo vez nos convidavam a participar na situação vital das pessoas.

Também nos marcou proximidade das nossas irmãs com as pessoas do povo, da comunidade cristã. Com isto as pessoas sintam o carinho e presença delas.

 

NOSSA CONTRIBUIÇÃO

No acolhimento, sentimos que a integração é muito importante numa comunidade, porque se isso falha vivemos como estrangeiras em nossa própria casa. Por isso no primeiro dia, as irmãs conscientes desta realidade, nos ensinaram o essencial da casa e desde esta abertura nos sentíamos livres, em participar na vida comunitária. 

O sentido de pertença nos ajudou a viver e partilhar a nossa vida entre as irmãs maiores e jovens porque todas temos algo para oferecer. Aprendemos a importância da escuta, interessando-nos pelo que a outra expressa, ainda que repita várias vezes. Isso nos ajudou a cultivar a nossa paciência e a vivê-la diariamente, algo aprendido desde a prática.

No acompanhamento mútuo e a responsabilidade vividos por nossas irmãs, nos ajudaram a tomar a consciência da importância de caminhar juntas e marcar a nossa presença (aqui estou contigo), sem que nos o digamos.

A oração e a contemplação das irmãs nos ajudaram a potenciar mais em nós o gosto de estar com o Mestre e tomar consciência de que o que fazemos encontra o seu sentido n’Ele. Esta vida de oração se transmite na alegria, algo que nos desafia a cultivar mais e a criar o ambiente que nos ajude a viver.

Sentimos que ainda que algumas irmãs não têm forças físicas, estão gozando desta relação íntima com Deus, uma experiência que é fruto de um trabalho feito ao longo das suas vidas.   

Nos momentos comunitários, se privilegiava o partilhar as experiências feitas nas missões e na formação. Ainda que estejamos nesta sociedade global, os nossos meios de comunicação social não interferiam nestes momentos de estar juntas. 

Foi uma oportunidade de partilhar mutuamente as alegrias do nosso ser missionárias, de na parte aprendemos el gozo de entregar la vida a Deus, por amor aos demais. Nos marcou bastante a unidade que brota da vida espiritual, alimentada diariamente pela Eucaristia. 

Esta experiência nos marcou positivamente de tal maneira que mudou as nossas perspetivas e conceção da nossa consagração como missionárias, se é possível nos gostaria de voltar a agradecer as irmãs tudo o que aprendemos com elas. Estamos imensamente gratas às irmãs do Conselho Geral pela iniciativa. 

 

O NOSSO ABRAÇO FRATERNO! 

De: Clara e Vanessa; Gilda e Salomé; Ángeles e Rafaela.

 

“Fazemos bem às pessoas na medida em que as amamos” (Madre Ascensão Nicol).

MOÇAMBIQUE: SABOREANDO A VISITA DO PAPA FRANCISCO

Que dizer da Visita do nosso Papa Francisco a Moçambique, nos dias 4,5 e 6 do corrente mês de Setembro? É difícil expressar os sentimentos que me e nos habitam.

O primeiro que brota do coração é o de uma enorme gratidão a Deus porque na simplicidade, proximidade e espírito profético do Papa Francisco, todos nos sentimos verdadeiramente visitados por Deus. Digo todos e todas porque, como dizia espontaneamente uma jovem à saída do Pavilhão de Maxaquene onde se encontrou com os jovens de todas as religiões: “Eu não sou católica, mas eu vim para ouvir a mensagem do Papa porque ele não é católico, é de todos nós”. Pode parecer uma heresia, mas foi este o sentimento que a sua visita, as suas mensagens e a sua presença deixou no coração de todos. Realmente ele foi esperado, desejado e acolhido de coração aberto, há muito tempo. Era só ver a massa humana que o esperava horas e horas através das ruas de Maputo onde ele ia passar…

Quando passava, a emoção tomava conta de todos, aclamando-o como aquele que vinha em Nome de Jesus. Nesta espera posso partilhar que, no lugar onde me encontrava quase já no trajecto final junto da Nunciatura, centenas de mamãs do Apostolado de Oração, o esperaram cantando e dançando desde as 14 até às 19horas em que ele chegou junto de nós! Era indescritível a alegria e a fé que aquelas mamãs, gastas pela vida dura, manifestavam com o coração a transbordar de felicidade e júbilo.

Querendo dizer uma palavra sobre as diferentes Mensagens, é que todas aqueciam o coração: falava à realidade concreta do povo, aos seus anseios e dificuldades de uma forma simples e clara que todos podiam entender (num bom e claro português!), não esquecendo a profundidade das interpelações que lançou aos diferentes grupos- políticos, jovens inter- religiosos, sacerdotes, religiosas e religiosos, assim como aos milhares de cristãos na grande celebração do Pavilhão do Zimpeto, o maior de Maputo.

O seu lema: ESPERANÇA-PAZ-RECONCILIAÇÃO foi transversal a todos os discursos. A todos vincou que a reconciliação é o caminho para a paz, mas que esta não se constrói sem justiça, sem que todos os moçambicanos e moçambicanas tenham oportunidades iguais, tenham a possibilidade de usufruir das riquezas imensas do seu País. Que é um escândalo que um país tão rico tenha tantos dos seus filhos a viver abaixo do nível da pobreza.

Falou aos que ainda sofrem as consequências dos dois ciclones e deixou para eles palavras de conforto, amor e esperança. Realçou igualmente a necessidade do perdão e da reconciliação tão indispensáveis, após os longos anos de guerra entre irmãos e da situação actual tão preocupante que afecta aos irmãos da Província de Cabo Delgado que faz perigar os Acordos de Paz em curso.

A sua mensagem próxima, calorosa, conhecedora da nossa realidade, tocava o coração de todos…Sentiam que ele entendia as suas feridas, que as fazia suas, e que as queria sarar, como Jesus fazia no seu tempo. Foi realmente o testemunho verdadeiro do Bom Pastor que ama e cuida das suas ovelhas.

E sobretudo aos jovens, mas não só, apelou a que não deixem perder a Esperança! Que lutem pelos seus sonhos, que será promissor se souberem dar-se as mãos: “Jovens vocês são importantes…Vocês são a alegria do presente e a esperança do futuro. Não se deixem influenciar pelos que vos queiram roubar a esperança...mas sejam humildes, não deixem de ouvir a experiência dos mais velhos. A experiência de todos é importante e fundamental para a construção do vosso País”.

Foi realmente uma mensagem de esperança e compromisso com a Paz, com a Reconciliação que passa pelo perdão aos que nos deixaram feridas profundas. O amor do cristão tem a sua fonte e a sua medida em Jesus que amou até ao fim, que perdoou aos seus inimigos…

Agora nos cabe a nós, aos que temos a missão de ser “pastores com cheiro das ovelhas”, (como ele diz na sua carta “A Alegria do Evangelho”), de a fazer nossa, para depois descobrir com todos os cristãos, os caminhos para a ajudar a dar frutos na nossa Igreja e povo moçambicano.

Que nada desta semente, portadora de tanto amor e esperança, se perca, antes dê fruto a cem por um!

VIVA O PAPA FRANCISCO, VIVA VIVA! (canto gritado desde que chegou até à sua despedida!!!).

 

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