CELEBRAÇÃO JUBILAR
UM ANTES E UM DEPOIS NAS NOSSAS VIDAS
Há experiências e acontecimentos na vida que começamos por intuí-los, sonhá-los, prepara-los e incluso acariciá-los por largo tempo, por isso ao vive-los estamos preparadas para os acolhermos e nos deixarmos possuir pelo seu sentido mais profundo.
Foi o que nos aconteceu no passado dia 6 de Dezembro; o dia indicado para comemorar festivamente os 50 anos da presença da Congregação em Moçambique.
A festa “estava servida”. Durante um ano, fomo-nos preparando, pessoal e comunitariamente, com a reflexão, o estudo e a oração afim de recuperar a memória histórica e deixarmo-nos desafiar por ela. Na preparação, cada uma tinha assumido, com empenho e carinho, a tarefa atribuída. Nesse dia tratava-se de viver, de experimentar, de nos deixarmos inundar pelo seu significado.
O dia, apareceu radiante, o que começou por ser um sinal já que, estando na estação das chuvas, os dias anteriores prognosticavam o contrário.
A festa em si foi um momento de verdadeiro júbilo. Uma dessas experiências que marcaram as nossas vidas e a vida da Vigararia, indicando um antes e um depois. Tinha o atractivo de ser realizada na antiga missão de Tengua, Milange. O mesmo local que acolheu as Irmãs há 50 anos.
A melhor descrição evoca sempre à imaginação: esta é a oportunidade de o fazer. A natureza estava adornada com as suas melhores galas, com os quase seculares árvores do entorno. O numeroso povo congregado enchia o ambiente com o seu colorido próprio e a sua alegria. Marcavam presença também os convidados de perto e de longe. A Igreja na que se celebrava a Eucaristia, construída pelos missionários capuchinhos italianos, na época, tinha ares de catedral, engalanada com palmas e flores. Mais de cem cantores interpretaram os cânticos da liturgia ao estilo “godspel” africano, com uma polifonia perfeita; não faltaram as danças e os símbolos, nos momentos mais significativos da celebração; Foi delegado do Bispo um “filho das irmãs”, educado na missão porque a sua família morava perto. E o mais importante é que tínhamos entre nos uma das Irmãs, Goreti, do primeiro grupo que chegou em 1959 e estávamos todas nos, de diferentes raças, línguas e culturas. Como podeis ver não faltava nada!
Que significou para nós? Em primeiro lugar, vivemo-lo como um verdadeiro momento de graça, um ”kayros” na vida de cada uma e da Vigararia. Reforçou e revitalizou, dentro de nós, o gosto de sermos a família que formamos, unidas pelo desejo que nos habita de nos entregarmos aos excluídos e necessitados; simples e fraternas, unidas na diversidade de culturas e abertas ao mundo. Interpelou-nos muito o processo que viveram as irmãs nos diferentes momentos históricos que partilharam com este povo e que nos deixa um desafio: Como continuar sendo criativas para dar a resposta mais evangélica no momento que vivemos? E por fim, ajudou-nos a renovar a nossa identidade missionária, e de novo brota em nossos corações o texto profético: Eis-me aqui, envia-me a mim!
A Equipa Coordenadora da Vigararia



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