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Missionárias Dominicanas do Rosário
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GRUPO CALUDAVI (CAMINHEMOS À LUZ DA VIDA)

Desde o ano de 2003, que as Irmãs da com. Ascensão Nicol de Inhassoro, vêm trabalhando com as pessoas portadoras de HIV-SIDA. Foram muitas as pessoas que acompanhámos e com um pequeno grupo fizemos uma caminhada mais continuada, não só a nível de ajuda material, mas sobretudo de reflectirmos com elas sobre como encontrar futuro, apesar da sua doença.

No ano de 2007 tínhamos 14 famílias empenhadas em pequenos negócios de auto sustento. Desde os inícios fomos acompanhadas por uma senhora da comunidade cristã, a incansável D. Ana Cabrita, que tem dedicado muito do seu tempo a apoiar-nos neste serviço aos irmãos mais necessitados.
No prosseguimento dos nossos encontros, as pessoas iam ganhando sempre mais confiança umas com as outras e sentiam a necessidade de partilhar as suas preocupações e sofrimentos, desta maneira apoiavam-se mutuamente. Todos tinham a experiência do estigma e não-aceitação e a partir desses Encontros, ganhavam força para caminhar. Resolveram então reunir-se uma vez cada mês.
Nesse ano de 2007, com o apoio na gestão prática dos pequenos negócios, deu-se um impulso cada vez maior à caminhada do grupo, tendo iniciado, a partir do mês de Julho, uma pequena experiência de xitique voluntário (banco comunitário), onde cada pessoa contribuía com 150 Meticais dos lucros do mês. Só 7 é que conseguiram comprometer-se e o dinheiro conseguido foi dividido entre duas mães mais necessitadas, uma a quem foi roubada a casa e a outra que é nova no grupo, mas a viver em grande dificuldade.
O grupo vai ganhando sempre mais vontade de caminhar e através da consciência de grupo que têm adquirido, resolvem escolher um nome que os identifique: CALUDAVI- “Caminhemos à Luz da Vida”. Escolheram este nome porque sentem que a vida não terminou ao ser seropositivo, a vida continua e têm esperança que, com a luta diária e apoio do grupo, continuarão a viver para ver crescer aos seus filhos.
Elegeram entre eles uma coordenadora, Julieta Macuma Vieira; uma ecónoma e a que motiva o xitique, Ana Alexandre e como secretário, David Celestino.

No ano 2008, o grupo continua a reunir-se cada mês como grupo de apoio a pessoas enviadas do sector de ATS (atendimento e testagem em saúde) do Centro de Saúde de Inhassoro, que lhes custa assumir a sua nova situação de sero positivos. Este grupo motivou-os na importância do seguimento e tratamento com retrovirais, a partir de testemunhos vivos dos membros do grupo e um pequeno apoio de 500 Meticais para pequenos negócios de auto sustento. O grupo tem vindo sempre a aumentar.

Nos inícios do mês de Junho de 2009, uma ONG International Relief and Development ao ter conhecimento deste grupo, ofereceu apoio e formação a 23 dos membros para os cuidados domiciliários aos doentes que não se podem deslocar aos Serviços de Saúde. Receberiam um pequeno incentivo mensal e a única exigência que colocavam, é que soubessem ler e escrever.
Infelizmente mais de 50% dos membros são analfabetos, pelo que foi necessário, buscar outras pessoas seropositivas em tratamento e com boa aderência, para este trabalho, ficando assim a fazer parte do grupo. Neste momento são 50 participantes, que continuam a reunir-se mensalmente.
No final do mesmo mês de Junho, a mesma ONG ao constatar a boa organização do grupo e o seu compromisso no trabalho que assumiram, motivaram o grupo para se constituírem em Associação, que possa vir a ser reconhecida a nível Jurídico. Naquele Encontro fez-se a reestruturação da direcção do grupo e foram elaborados os Estatutos Internos do mesmo.
Foi atribuída a cada membro uma pequena remuneração para o desempenho da sua actividade.
A Formação na área da gestão financeira tem sido incentivada, a todo o Conselho de Direcção do grupo, em especial ao supervisor e contabilista. Conseguiram um apoio do PAM em milho, ervilha e soja para 100 doentes em tratamento retroviral, escolhidos segundo os critérios do Director do Hospital de Inhassoro e da Ir. Fanny. As famílias receberão este apoio durante 6 meses e depois será avaliada a sua melhoria para sair do programa e poderem entrar outras pessoas em igual necessidade.

Foi uma grande conquista para uma boa parte das famílias que acompanhávamos, porque fizeram a experiência de que quando nos unimos temos muita força e só dessa maneira ganhamos confiança em nós, para ajudar outros a sair da fossa…

Mas fica-nos o desafio de como ajudar aqueles que sendo analfabetos, ainda apresentam mais dificuldades para encontrar fontes de ingresso para a sua subsistência mais elementar…
Neste momento são um grupo de cerca de 50 famílias que continuam a ser ajudadas por nós, Irmãs. São incentivadas a participar nos grupos de Alfabetização e com a grande ajuda da D. Ana, buscamos agora outras actividades que possam ter um mínimo de rendimento e eles possam executar. As mulheres estão a aprender a fazer botinhas e chapéus para bebé, assim como a bordar pequeninos panos e pensamos fazer uma exposição pelo Natal e vender…Além de continuarem com pequenos negócios, já que, por um lado encontram-se com pouca força para trabalhar e por outro, ao não saberem ler e escrever, não conseguem grandes empreendimentos no negócio…
Os homens, estão a aprender a fazer chinelos, com material local, para igualmente comercializar.

Isto Irmãs, é uma “migalha muito pequenina de pão para tanta fome”, mas nós e o povo sentimo-lo como um sinal muito positivo de que, mesmo no meio de grande sofrimento, mesmo quando parece não haver condições para viver, é possível acreditar que juntos podemos mudar, que reunindo forças e saber, fazemos…até “milagres”, como nos diz Jesus! Por isso com este grupo de irmãos enfermos, mas crentes na Vida, dizemos que queremos “caminhar à luz da Vida”.

Ir. Fanny Caíza
(Com. Ascensión Nicol de Inhassoro)