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Missionárias Dominicanas do Rosário
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VOLUNTARIADO MISSIONÁRIO
-  MotivaÇÕes para fazer voluntariado

Penso que a minha grande motivação para fazer voluntariado é a enorme insatisfação com que tenho vivido nos últimos tempos.

Sei que sou uma pessoa privilegiada e não vivo bem sabendo que há pessoas que necessitam de ajuda; Não me conformo. Quase que posso chamar este sentimento que me persegue, de “peso na consciência”. Cruzar os braços e deixar que tudo me passe ao lado é algo que sou incapaz de fazer. A indiferença mata-me!
Vivo constantemente com a sensação que todos podemos contribuir um pouco para um mundo melhor. Penso que todos temos o dever e a responsabilidade social de contribuir para um mundo mais justo, minimizando as desigualdades e injustiças infelizmente ainda tão nítidas. Sinto que “devo” mais, que tenho que “ser” mais… (palavras de uma grande amiga).
Assim, a fim de tentar acalmar esta enorme insatisfação e colmatar esta inquietude que não me larga, penso que esta experiência como voluntária, poderá ser uma das melhores formas para o conseguir.
Além disso, esta experiência, extremamente enriquecedora, permite também vivenciarmos certas sensações que talvez não tivéssemos oportunidade se por vezes não arriscássemos. Penso que libertarmo-nos um pouco da nossa realidade, do nosso pequeno “mundinho”, é extremamente importante para nos conhecermos melhor e para estarmos mais disponíveis. O “frenesim” da nossa sociedade muitas vezes não nos permite parar, escutar, reflectir. Parece que tudo já é mecanizado. A correria do dia-a-dia faz com que coisas tão simples como um “obrigado” e um “és importante para mim”, nos passem ao lado. O valor das coisas foi-se perdendo. Não se luta por nada, não se valoriza nada. É tudo tão fácil e tão acessível que não nos apercebemos da sorte que temos. Esta é também umas das grandes razões que me leva a desprender um pouco do meu país, da minha família, dos meus amigos, da minha vida. Preciso experimentar, preciso sentir, preciso sofrer, preciso parar, preciso viver!
Sei que não vou mudar o mundo, mas como uma amiga minha uma vez me disse, espero pelo menos mudar o mundo daqueles que vou tocar durante estes meses, que são infinitos! Assim como também sei, com toda a certeza, que eles vão mudar o meu…

Medos, preocupações e dificuldades

Penso que o medo de me sentir por vezes incapaz, impotente, pequena e insignificante, é inevitável mas acredito que estes sentimentos são rapidamente ultrapassados ao pensarmos que com um simples gesto, uma simples palavra, uma simples atitude, podemos trazer algo de novo àqueles com quem nos cruzamos.
Esta experiência é uma oportunidade para conhecer um novo mundo, uma nova realidade, uma nova cultura, conhecer pessoas com experiências e vivências tão diferentes. Mas nem tudo é um “mar de rosas”…não aterramos neste país e estamos imediatamente preparados para começar um trabalho útil, adequado e pertinente. Esta adaptação, por mais enriquecedora que seja, leva o seu tempo. Precisamos de digerir esta sociedade tão diferente; precisamos de nos integrar, mentalizar, questionar, rir, chorar, preparar, para estarmos prontos para arrancar. Esta gestão de sentimentos é extremamente individual e personalizada.
As saudades são outro factor que pode causar algum receio. Inevitavelmente sentimos falta daqueles que deixamos, daqueles que amamos. Penso que cada um tem os seus mecanismos de defesa e o que encontrei até agora para contornar esta situação, foi pensar que esta experiência não é definitiva. Sei que esta fase é temporária e que depois dela estarei novamente junto da minha família e amigos; assim, saber que estão todos bem é suficiente para eu também estar bem.

Aspectos importantes para se desenvolver um trabalho útil e pertinente

  • Procura e iniciativa
  • Disponibilidade e capacidade de escuta
  • Simplicidade, partilha, generosidade
  • Capacidade de comunicação
  • Capacidade de organização
  • Adaptar respostas ao contexto de trabalho
  • Capacidade de relação, vivencia de grupo e trabalho em equipa
  • Gestão de conflitos e humildade
  • Compreensão e tolerância

 

Áreas de trabalho e contributo pessoal
 
Penso que um dos grandes desafios nesta nova experiência será encontrar meios para dar resposta aos problemas com que me vou deparar; encontrar soluções práticas jogando com os instrumentos que tenho.
Acredito que o trabalho em equipa é a chave do sucesso de qualquer projecto. Neste sentido, a articulação de trabalho, a discussão, a comunicação e a inter-ajuda, serão aspectos que procurarei constantemente manter com as Irmãs, manas, monitores e todos aqueles com que me vou cruzando ao longo desta caminhada.
Sei que tenho muito para aprender e que no balanço final desta experiência, quase de certeza me vou aperceber que recebi mais do que aquilo que dei. No entanto, espero poder contribuir da melhor forma com o que tenho para oferecer.
Não posso traçar exactamente o meu trabalho e contributo pessoal para estes próximos meses, porque acredito que este estará em constante mudança e adaptação ao dia-a-dia com que me vou deparando. No entanto, depois de me reunir com as Irmãs, posso desde já delinear, de uma forma geral, algumas áreas em que espero poder ajudar:

  • Colaboração em educações para a cidadania
  • Colaboração em formações de saúde
  • Colaboração no projecto de apadrinhamento de crianças,
  • Colaboração no projecto de alfabetização
  • Colaboração na sala de estudo e apoio escolar
  • Colaboração na organização dos livros emprestados pelas Irmãs aos alunos do bairro
  • Colaboração no projecto EGUME
  • Colaboração no projecto Microcrédito

 

Maria da Paz (Voluntária em Mahotas – Maputo)