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Missionárias Dominicanas do Rosário
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RETIRO EM ANGOLA

A minha primeira experiência

Preparar e orientar o Retiro às nossas Irmãs de Angola, além da enorme surpresa e admiração inicial, quando o pedido me foi feito pela Ir. Dominga, nossa Coordenadora Geral, causou-me muito temor e tremor, tensão, canseira e preocupação, mas, agora que já tudo passou, devo confessar que foi uma experiência e uma oportunidade tão rica, que devo dar, publicamente, acções de graças a DEUS, em primeiro lugar, mas também às irmãs de Angola, a toda a gente que me ajudou e apoiou e, ainda, às muitas, muitas pessoas que rezaram por esta intenção.

Dou graças, porque:

  • Eu fui a primeira beneficiada, uma vez que tive que ler, estudar, rezar, pedir ajuda e fazer também o Retiro.
  • Foi muito compensador ver, ouvir e sentir, na avaliação final, - que foi muito positiva -, que as Irmãs destacavam aspectos prioritários e fundamentais, - na minha maneira de ver -, que eu tinha pensado e desejado muito saber transmitir, de modo a que as “tocasse”.
  • Valorizo muito o ambiente de silêncio, de acolhimento, de atenção e colaboração que se viveu. A sala onde nos reuníamos ficou, ao longo dos dias, toda ambientada com frases, fotos e cartazes que tinham a ver com as reflexões que se iam fazendo.
  • Quero guardar a experiência relativa às duas celebrações especiais e bem prolongadas, que se fizeram durante o Retiro, em que todas muito partilhamos e rezamos. Uma, foi centrada no NATAL que ainda se estava a viver. As diferentes vivências, em lugares muito distintos de Angola, resultou numa riqueza enorme. A segunda, foi a celebração do TEMPO, da BÊNÇÃO, inspirando-nos no ano novo que acabava de se iniciar. Resultou, também, numa verdadeira celebração penitencial.
  • Agradeço muitíssimo a riqueza, apoio e a ajuda variada, que Irmãs, Padres Leigos amigos, provenientes de diversas zonas geográficas, me fizeram chegar. Foi uma experiência linda que me fez sentir que este Retiro estava a ser preparado por uma rede enorme de pessoas.
  • Foi, ainda, muito bom, reencontrar ou conhecer a maioria das Irmãs de Angola, encontrar-me lá com a Dominga e com a Inocência Costa, de Moçambique, assim como com os Manos Dominicanos mais conhecidos. Tive, também, imenso gosto em conhecer, no local, o prestigiado Projecto MOSAIKO, que promove os Direitos Humanos, que os Dominicanos fundaram e orientam.
  • Foi bom voltar à África para me alimentar do sentido festivo e sem pressas, - embora as Homilias fossem demasiado longas - que as multidões que participaram nas duas Eucaristias dominicais em que estive, souberam, como sempre, dar a essas celebrações. Valorizei, ainda, o sentido de envolvimento, e de compromisso dos Leigos.
  • Foi engraçado o ter vivido lá a abertura do CAN – Taça Africana de Footbaall (não se chama assim, mas!) - e sentir todo esse colorido, movimento e entusiasmo. A cerimónia de abertura foi muito bonita.

      Os melhoramentos da cidade de Luanda são significativos e, praticamente, estriei o novo aeroporto.

O que baixou, mais ou menos, esse colorido, foi ver e ter de passar pelos caminhos barrentos dos Bairros periféricos, praticamente intransitáveis, os lixos amontoados e espalhados por quase todo o lado, o comércio de sobrevivência que inunda todos os espaços, o trânsito caótico, mas sobretudo desregrado, e as precárias condições de vida das multidões incontáveis dos que vivem nos Muceques de Luanda, alguns dos quais tive a oportunidade de atravessar.
O calor se fosse um pouco menos!…

Voltei a Portugal com muita vontade de acompanhar com a oração, carinho e curiosidade o resultado dos trabalhos da Assembleia e do Capítulo Provincial, em que as Irmãs ficaram intensamente envolvidas.

Sem dúvida, que esta primeira experiência excedeu as expectativas, e Angola, sobretudo a nossa Província de Nossa Senhora da Paz, ficou muito mais viva no meu coração e na minha vida: MUITO OBRIGADO!

Algumas notas sobre o Retiro:

- Teve lugar de 4 a 9 de Janeiro do ano em curso, na Casa de Retiros dos Jesuítas, perto de Viana.
- Participaram 26 Irmãs (na Província há 31)
- O Tema global foi: “Quando a MISSÃO marca as nossas agendas”
            .Importância do 1º Momento. Motivação. Introdução
            .Sentido de “pertença” e Missão
            .Desafios e propostas da última Assembleia de Provinciais
            .A Missão: fundamentação. Causas actuais da mudança. Novos caminhos. Mística ( 2 sessões)
            .Conhecer e amar o nosso Mundo
            .O estudo e a Missão
            .A Comunidade e a Missão
            .A Eucaristia e a Missão
            .Maria e a Missão
            .Testemunhos e experiências actuais e inovadoras
            .Sínodo Africano. A “medida” do nosso Retiro (avaliação). Ligação à Assembleia e Capítulo Provincial.

Desejou-se que a realidade concreta de Angola estivesse muito presente e, em simultâneo, a atitude de abertura à Congregação, à Igreja e ao Mundo; que as reflexões partissem muito de experiências de vida, pois é aí que Deus, também, se vai manifestando no dia a dia; que tivesse a participação das Irmãs presentes; que houvesse algumas dinâmicas e/ou símbolos que falassem só por si; que se respirasse alguma criatividade e inovação; que se envolvesse muita gente na preparação do Retiro e na oração pelo mesmo.

Luanda (Lisboa), Janeiro de 2010

Ir. Deolinda Rodrigues