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Timor: testemunho do Jorge

Já passaram quatro meses, o tempo voa e corre veloz.

O Natal foi vivido de forma muito diferente, sinto que aqui, não se dá grande importância ao Natal, o conceito de alegria que se generaliza por todas as famílias em Portugal, não existe aqui. Mas nem por isso, deixei de passar aquele que será certamente um dos Natais mais especiais e que ficará guardado na minha memória por muitos anos.

Bom, quem se arrisca a vir em missão, arrisca-se a viver a impressibilidades do dia-a-dia. Diria que cada dia passado neste lado do mundo, é recebido como uma grande dádiva de Deus. Sinto-o como um apelo de Deus aos meus sonhos. Confesso que é um sentimento de pura alegria não sabermos de antemão o que o dia seguinte nos reserva, aprendi a aproveitar e dar valor a cada segundo do tempo que passa, mas nessa quantidade enorme de segundos que passam, também acontecem coisas más, pois nem só de alegrias é constituído o nosso sentir.
Faleceu um senhor, o Tio Paulo, que era considerado um membro da “família” do Colégio. Foi uma notícia que nos deixou a todos tristes, e a mim particularmente, pois passei algum tempo com ele e ganhei de prémio uma frase que ele repetia vezes sem conta, “Obrigado colega Malai”.
De resto, nada de mau tenho a acrescentar sobre a minha experiência em Timor.

Estou muito impressionado com tudo o que respeita à Congregação das Irmãs, do seu carisma, da sua obra…Sinto-me orgulhoso por ser voluntário ao serviço das Missionárias Dominicanas do Rosário.
Por aqui o trabalho não para, mas ao contrário do que têm sido as minhas experiências anteriores, é um trabalho que não cansa. Cada sorriso, cada expressão de alegria ultrapassam em muito qualquer remuneração possível de se receber.

Agora compreendo a Manuela, é muito difícil justificar isto, mas quem vem a Timor, sente um género de atracção muito difícil de explicar, e não tem só a ver com a necessidade que o povo tem de ajuda, com a pobreza, mas com este povo em si. É muito difícil de explicar, mas ao conversar com um qualquer timorense, sinto quem ele é verdadeiramente, por vezes, basta um simples olhar, são muito transparentes, muito humildes, pelo menos eu sinto isso.
E depois, é o sentimento de que há tanta coisa para fazer e que muito provavelmente uma vida não chega para fazer tudo o que é necessário, um misto de uma certeza que consigo fazer algo no dia-a-dia, com a ideia de que daqui a uns meses estarei de volta a Portugal (?).
 Não sei como vou encarar o facto de ter que voltar para Portugal daqui a uns meses, mas para já, não quero mesmo ter que pensar nisso.

E pronto, tenho muito a contar Irmã, muito mesmo, mas nunca um email, ou dois ou 20, seriam suficientes para transmitir tudo aquilo que se sente aqui.
 
Um abraço grande para si, e beijinhos a todas as Irmãs, de mim, das Irmãs e de todas as meninas.
Beijinhos
Jorge Mestre